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14 de janeiro de 2016

ENQUANTO SOMOS JOVENS, a.k.a. Medo de envelhecer e generation gaps


Ano: 2015
Direção: Noah Baumbach

Após um trailer que me cativou (hehe, "cativou"), demorei um tempo até resolver, de fato, assistir ao filme. Na minha cabeça, ficava justificando que era por causa do Ben Stiller (a verdade é que eu não curto ele nem um pouco), mas, assim como o que aconteceu com Jim Carrey e Will Ferrell, eu sabia que eu iria mudar um pouco a minha opinião - para melhor - quando o visse fora dessas comédias idiotas, fazendo um filme mais "sério".


Na história, o ator interpreta Josh, um documentarista quarentão que está empacado há dez anos na finalização de seu documentário. Ele e sua mulher (Naomi "deusa" Watts) não têm filhos, e começam a se sentir minoria (e, porque não?, sem assunto) perto de outros casais da idade deles.

Em uma palestra sobre documentário, Josh conhece o casal Jamie (Adam Driver) e Darby (Amanda Seyfried), ambos em seus vinte e poucos anos, cheios de interesses, estilosos e super interessados (principalmente Jamie) na carreira de Josh. Quem não adoraria sair com eles e se sentir importante e mais novo?


O filme parece se dividir em duas partes (o que não acontece no trailer): a busca por se sentir vivo, não se importando tanto com as convenções etárias se você não se sente com vontade de "obedecê-las", e as consequências (não de uma forma tão ríspida como essa palavra soa) da mistura de gerações, onde cada possui seus valores e suas prioridades, se é possível compreender a forma de pensar de uma geração diferente da sua, e como as pessoas, de um modo geral, interagem.

Como já falei acima, tenho implicância com o Ben Stiller, não consigo entender onde está a graça dessas comédias cheias de carões e bizarrices, enfim... mas ele está muito bem no filme. A que mais me surpreendeu foi a Amanda Seyfried, que sempre faz a boazinha enjoada, e aqui é uma hipster maluca-beleza que te traz sentimentos confusos de gostar e desgostar, assim como Adam Driver. Nem preciso falar da Naomi Watts, por favor (ma-ra-vi-lho-sa).


Eu AMO essas comédias vida-normal novaiorquinas, com uma problemática pé no chão, mesmo que seja carregada de uma moral forte, como no caso de Enquanto Somos Jovens. Não é que eu não tenha gostado do final, mas acho que, de repente, não precisava. Mas eu juro, é minha única reclamação sobre o filme. 

6 de junho de 2015

CHEF, a.k.a. Um filme para ser visto de barriga cheia

 

Ano: 2014
Direção: Jon Favreau

Sinopse retirada do filmowDepois de perder seu emprego como chef em um famoso restaurante de Los Angeles, Carl (Jon Favreau), para a surpresa de todos, compra um trailer e passa a fazer e vender comida pelas ruas. Cozinhando e conhecendo pessoas, ele redescobre o amor, o entusiasmo pela vida e como a gastronomia pode ser apaixonante.

Jon Favreau gosta de lançar uns filmes independentes de vez em quando (vide Cowboys & Aliens - HA!), e eu acho isso ótimo. Nada contra os Homens de Ferro da vida (apesar do fiasco que foi o terceiro***** Acabei de tomar esporro do boy porque ele não dirigiu o terceiro, foi mal aê, produção!), mas um filme sobre gente como a gente – tá bom, vai, gente um pouquinho só melhor que a gente – sempre é mais legal.


Vou confessar: foi doloroso ver esse filme cheio de comida gostosa e me contentar com o de sempre aqui de casa. Nem lembro se já tinha comido antes de o filme começar – mas, antes que ele terminasse, eu já tava dando pirueta de fome.

Chef é um filme lindo que fala sobre segundas chances, sobre o quanto nunca é tarde para mudarmos as coisas que não nos agradam na vida, recuperar aquela relação com filho, papagaio ou periquito, ou fazermos o que mais amamos.

A vida tá sempre ai pra encher a gente de responsabilidade – e, com isso, medo de ousar, de sairmos da nossa zona de conforto. Mas, ver o Carl (Jon Favreau) jogando tudo pro alto depois de uma sequência fantástica de erros e acertos no mundo da tecnologia, caindo na estrada com seu melhor amigo e seu filho num food truck (virou meu sonho fazer isso também!) foi um processo tão lindo!


Resumindo: Se você já viu todos os filmes de ação do Favreau, ta afim de uma história bem leve (mas ainda com alguns dos atores de Homem de Ferro de quebra), que arranque umas risadas (e, quem sabe, umas lágrimas também) e que, acima de tudo, seja um maravilhoso food porn, Chef é o que tem no menu para hoje – trocadilho podre, eu sei!

11 de janeiro de 2015

AMOR FORA DA LEI, a.k.a. Bate que eu gamo!



Direção: David Lowery
Ano: 2013

Vou começar o post com uma revelação bombástica: não gosto da Rooney Mara. Acho ela feia e não acho que ela seja tão boa atriz quanto falam por aí. Ela tem um quê de Kristen Stewart, se valendo de ficar calada e com o corpo retorcido para mostrar as aflições de seus personagens.

Por isso, quando vi o trailer de Amor Fora da Lei, pensei: ~ ahhhh, ta bom, tudo isso por causa da Rooney Mara? ~ Mas, como sou uma pessoa extremamente imparcial (sqn), resolvi assistir ao filme do mesmo jeito, porque, afinal, adoro o Ben Foster.


Bob e Ruth são um casal apaixonado e Ruth está grávida. Mas, depois de um tiroteio com a polícia que resulta em um policial ferido, Bob assume a culpa por Ruth e vai para a cadeia em seu lugar. Alguns anos depois, com uma série de cartas de Bob para Ruth semeando a história, o rapaz aproveita uma chance de fugir para se encontrar com sua amada e sua filha pequena. Mas, agora, Ruth vive para sua filha – e, apesar de nutrir, ainda, um amor quase irracional por Bob, sabe que se unir a um fugitivo irá acabar com a vida pacata que construiu para sua filha.

Casey Affleck, diferente de seu irmão, não tem o estigma de flops... mas também não é um supra sumo em atuação – mesmo se voltando mais para filmes cults/independentes. Pode me chamar de tiete, mas o bom do filme mesmo é Ben Foster (como Patrick Wheeler, o policial baleado), que nutre um amor compreensivo e calado por Ruth, mesmo sabendo que as coisas não aconteceram como narradas no dia do tiroteio.


O filme acabou sendo uma surpresa boa (mesmo com tanto preconceito meu envolvido, nhá). Ele é o que podemos considerar um novo faroeste, sem aquelas cenas clássicas de embates com pistolas, mas sem deixar faltar o elemento fora da lei, o espírito de cidadezinha do interior dos Estados Unidos.

A direção foi bem feita, o personagens são bem poéticos (bom, eu vejo isso como algo positivo, sorry aê) e o filme mostra que não é preciso ter muita ação para que o espectador fique pulsando de ansiedade. Nossa, filosofei agora!

4 de janeiro de 2015

FRANKIE GO BOOM, a.k.a. Um filme para desfazer minha fama de badass!


Direção: Jordan Roberts
Ano: 2012

Charlie Hunnam virou um queridinho de Hollywood (mais precisamente um queridinho do Guillermo del Toro). Mas não é só de blockbusters que se faz um ator e, em Frankie Go Boom vemos um personagem azarado e cheio de incertezas, em oposição ao pesado Jax Teller de Sons of Anarchy.

Acho que a premissa do filme era ser super B mesmo. Dei uma olhada em sites de crítica de filmes e vi diversas notas baixas, mas, juro que não entendi o porquê. Tudo bem, pode ser que eu esteja florescendo de amores por qualquer migalha que me faça lembrar de SOA, talvez o casal nas telas formado por Hunnam e Lizzy Caplan (de Masters of Sex ~ podemos falar de amor imediato por atrizes fofas e não tão famosas?~) tenha dominado meu coraçãozinho de pedra, talvez eu seja idiota e curta um nonsense básico...


Mas, resumindo, Frankie Go Boom não é um filme espetaculoso, mas tem um elenco fantástico (podemos ficar um tempão aqui mencionando pessoas, mas a preguiça reina e o imdb tá ai pra isso) e  é uma história divertida, que faz o tempo passar de forma suave.

Pra quem não tá ligado na história (que eu nem me dei ao trabalho de mencionar, so far), é mais ou menos isso: Frankie sofreu um trauma com sua noiva no dia do seu casamento, descobriu chifres e tals, seu irmão metido a cineasta e viciado em drogas filmou tudo e jogou no youtube. Um tempo depois, seu irmão sai da clínica de rehab e Frankie conhece uma garota (Lassie) que acabou de terminar com o boy magia dela, que na verdade é gay. Frankie e Lassie se pegam e, depois de uns momentos problemáticos, transam na casa dos pais de Frankie. Mas, DE NOVO, seu irmão filmou tudo e agora o vídeo da brochada de Frankie tá na web!


Agora, se você só gosta de ver filme cabeça, Bergman conversa com você diretamente do túmulo.... então, meu amigo, você vai achar esse filme uma bosta MESMO! Se eu tivesse um sistema de estrelas aqui no blog (tentei implementar uma vez, achei um porre e não rendeu), daria 4 / 5 estrelas
  1. por causa da originalidade, mesmo sabendo que é uma história de COMÉDIA romântica (notaram a diferença dos tamanhos, tá bem em ordem de importância pro filme, mesmo), a gente sempre espera algo de novo;
  2. por causa dos atores (afinal, o filme juntou Sons of Anarchy, Masters of Sex, Girls e Sex and the City);
  3. e, com certeza, por causa da despretensão.


Fãs de SOA, será que só eu que reparei em diálogos entre Charlie Hunnam e Ron Pearlman que pareciam fazer referência à série? Ou só to doida da cabeça?

16 de dezembro de 2014

GAROTA EXEMPLAR, a.k.a. Quem viu, quem matou?


Direção: David Fincher
Ano: 2014

Após ter lido o livro de Gillian Flynn (que não é dos mais animados, passei por uns períodos de tédio antes de entrar de cabeça na história), a expectativa de assistir a Garota Exemplar ficava sempre me assombrando: por um lado, ver a adaptação de um livro bom (sim, malvadamente bom) e, por outro, a possibilidade de ver um livro que eu achei bem legal talvez não ser uma adaptação tão boa assim, estragando tudo.

Mas, boy, was I wrong! Todo esse medo de ver o filme e acabar me decepcionando ficou beeem pra trás diante de um roteiro tão, mas tão bem escrito que chega a doer (tento ao máximo não ser muito técnica, quem quer ler sobre isso?!). Um dos receios que eu tinha era sobre como os roteiristas colocariam na tela não apenas os dois pontos de vista (presente do marido e passado pelo diário da mulher) sem aquele ar hollywoodiano piegas de sempre, mas também como incluiriam todas as viradas na história.


O filme manteve um ritmo incrível, mesmo já sabendo o que iria acontecer o tempo todo, me peguei sofrendo uma ansiosidade crescente conforme a história acontecia. Diferente de muitas adaptações de livros muito bons (por exemplo, Água para Elefantes, A Menina que Roubava Livros), Garota Exemplar conseguiu, além de dar vida e preencher o imaginário do leitor, mostrar uma identidade própria.

Ben Afleck, de quem não sou lá muito fã, está em seu papel ideal: o marido cheio de defeitos, acusado de matar sua mulher, tentando provar que as coisas não eram como pareciam é a cara do ator, com seu jeitão de mocinho rebelde e mal compreendido. Rosamund Pike é uma linda que, desde Orgulho e Preconceito, passa a imagem – por que não abusar dos trocadilhos? – da Garota Ideal, de fato. Ela está linda, contida e maravilhosa como Amy Dunne.


Em meio a tanto repeteco americano, tantos filmes vazios – inclusive no que diz respeito a adaptações de livros – parece que o sensacionalismo às vezes sobrepõe as histórias, Garota Exemplar se mostra simples em sua execução, para combinar com uma história cheia de detalhes e, sem dúvida, impressionante. Vale dez, cem estrelas!

18 de novembro de 2014

FRANKENSTEIN - ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS, a.k.a. Preferia ter ido ver o filme do Pelé!


Eu já sabia que Frankenstein: Entre Anjos e Demônios não havia agradado o gosto popular pelo pouco tempo em que ficou em cartaz, mas resolvi insistir mesmo assim. Não é que seja um filme poooooodre de ruim – simplesmente não é um filme bom.

Preciso confessar que não curto muito os filmes tiro-porrada-facada-e-bomba em que Aaron Eckhart atua mas, desde sua ótima (e curta) presença como o Duas Caras trilogia do Batman do Christopher Nolan, minha opinião sobre ele havia mudado. Até agora.


As lutas entre os tais “anjos e demônios” – segundo o nome abrasileirado do filme – não são de todo ruins; vamos lá, todo mundo já esperava uma viajada na maionese fenomenal desde o momento em que leram a sinopse do filme. Mas queria fazer algumas ponderações que me incomodaram de leve:

Pegar um personagem clássico como a Criatura de Frankenstein e dar uma repaginada é um trabalho muito difícil e que, com certeza, irritou muitos adoradores da história. Mas colocá-la (a Criatura) como um ser imortal que, depois de tudo o que aconteceu no livro, é abordado por demônios que querem matá-lo e tudo mais, ficou muito viagem.

Apesar do que o título em português declara, na verdade (mesmo que com a “aura” de anjos) os defensores da raça humana são gárgulas – pensemos, acho que ficaria menos pior se eles realmente fossem anjos. Afinal, que salada é essa – Frankenstein, gárgulas e demônios?


A primeira coisa que eles fazem no filme é tentar criar uma empatia entre as gárgulas e a Criatura no momento em que a rainha das gárgulas “conclui” que o que a criatura sempre quis foi um nome -  e a nomeia Adam – *mais ódio por parte dos adoradores do livro, check*.

200 anos se passam desde esse encontro, tudo o que  *Adam* aparentemente quer é viver sossegado, quando os demos voltam pra encher o saco – e por que? Porque, aparentemente, apesar de toda a evolução na ciência, os cientistas ainda não foram capazes de aprender como reviver um ser da mesma maneira que Victor Frankenstein fez com a Criatura em 1800 e bolinha – true story.

E eles precisam, na verdade, do diário de VF para recriarem essa tecnologia – com a ajuda forçada de uma cientista gatona (que, claro, será – ao fim do filme – a companheira tão aguardada por Adam – ahammmmmm), a fim de encher os corpos que guardaram durante MUITOS anos (tudo podre já, néeeean) com almas de outros demônios, direto do inferno. 


Desculpa ser chata, mas o filme não faz o menor sentido. Se formos voltar à discussão de sempre de que Hollywood está sem criatividade, regravando boas histórias, prefiro que seja assim mesmo a ter que me deparar com mais histórias sem pé nem cabeça como essa – cujo pior fator não foi a viajada toda, e sim a pseudo fonte culta, como se estivessem tentando criar uma mitologia com base na história da pobrezinha da Mary Shelley, que deve estar de mordendo de raiva no túmulo até agora.

Se é pra fazer uma versão de Orgulho e Preconceito e Zumbis para Frankenstein, que seja com mais respeito, por favor.

29 de outubro de 2014

DRÁCULA - A HISTÓRIA NUNCA CONTADA a.k.a. Não é o Edward



Direção: Gare Shore
Ano: 2014

Assisti Drácula essa semana e minha recepção foi ótima. Numa escola de 0 a 10, daria 8. Valeu cada centavo, os efeitos são ótimos e ator que faz o vampirinho gostosolindodemorrer ótimo. Eu poderia resumir o filme dessa forma e isso já bastaria para mim, mas sei que vocês devem estar loucos para saber minha opinião mais detalhada (sqn), então vou me esforçar.

Para começar, se você espera ver Crepúsculo, pode esquecer. Como dito, "Drácula - a história nunca contada" é, obviamente, uma história jamais contada (jamais é muito forte, mas nos cinemas talvez nunca tenha sido mesmo). De qualquer forma, o que você precisa saber é que se trata da história de como Vlad se tornou, de fato, esse homem morcego aí de cima.

Vlad teria sido escravizado e treinado, ainda criança, pelos turcos. Após se tornar um guerreiro exímio na arte de matar, acabou se transformando num príncipe pseudoidealista, cuja missão se resumia a defender seu povo e sua family lindinha dos (ainda) vilões turcos. E é então que a coisa fica séria, porque esses turcos tendenciosos lançam uma ordem maluca, uma ordem que envolve a doação de mil menininhos para o exército. E isso, enfim, gera uma guerrinha. Para incrementar as parada tudo, Vlad, que não era super-herói, decide apelar para um monstrinho da caverna, pedindo-lhe ajuda.


Turco chefe com odiozinho dos povo tudo.


Nota rápida: o monstrinho da caverna é o Tywin Lennister. Nunca vou superar o fato de que esse ator só faz gente tendenciosa. 

Mas, voltando: o filme traz discussões importantes. Do tipo: até onde você iria, no lugar dele? Pessoalmente, o fato de Vlad ter se tornado um homem *abençoado* pelo Diabo (paradoxo, oi?) é uma coisa questionável. Haveria motivos, não? Esse tipo de motivo, essa corrupção da alma, às vezes é muito mais amplo do que apenas um "sim" ou "não". Pareceu-me que Vlad era muito mais humano e menos egoísta que muitos dos que aparecem ali. Chega a ser uma coisa incoerente a condenação dele (observem que estou pseudofascinada pela história).

Sobre os atores, o próprio Drácula (Luke Evans) está ótimo. Ele convence, seu cabelo repuxado deu um ar ainda mais vampiresco (para não falar daquelas capas). A esposa dele, Mirena (Sarah Gadon) soou apaixonada, e seu papel é maior do que eu poderia ter imaginado. Na realidade, o espaço é bem democrático, o que faz uma harmonia difícil de ver em filmes desse tipo.

Um pouco do porquê de o Luke Evans estar óóóóóótimo nesse papel.

Mais alguns comentários: 
1) Não está no filme: GENTE! Quem lembra de Van Helsing? JURAVA que o Drácula tinha três esposas também vampiras. Me sinto enganada.

2) Sobre o livro: não li, gente, não sei se está fiel. Mas mamai e amiguinho disseram que sim, possivelmente está fiel, porque há muitas convergências com a lenda original.


*E você? Já assistiu Drácula? Conta pra gente!*

26 de outubro de 2014

AMANTES ETERNOS, a.k.a. Todo mundo tem problemas familiares


Direção: Jim Jarmusch
Ano: 2013

Amantes Eternos me pegou seu pelo trailer, por ser um filme de Jim Jarmusch e, claro, por ter Tom Hiddleston e Tilda Swinton como elenco principal. Mas eu não esperava, sinceramente, um filme tão bom assim. E que trilha sonora!

Quando todos (ou apenas eu, sei lá) achavam que filmes com vampiros já haviam saído de moda, eis que Jarmusch cria essa beleza que retrata, acima de tudo, o amor e a habilidade que temos de nos adaptarmos às diversas situações nas quais nos vemos.

Adam e Eve (com uma sugestão de nomes como essa, como não se perguntar se eles seriam, de fato, Adão e Eva?) são casados há séculos, passaram por diversas eras da raça humana, aparentemente, sempre juntos. Apesar de morarem em casas separadas, seu amor é forte e, ao notar um momento de tristeza e fraqueza por parte de Adam, Eve sai de sua casa no Tânger para encontrá-lo na abandonada Detroit.


O que vemos até então é um fotografia estupenda, quase uma poesia, e um casal com visões de mundo (e visões de sua condição, também) tão diferentes, que se complementam. Mas, tanta harmonia não poderia se manter para sempre, principalmente quando a irmã de Eve, Eva, que entendemos ser uma doida desvairada que deixou uma confusão atrás de si da última vez em que esteve com o casal, surge na casa de Adam.

As referências artísticas – a maioria delas atribuídas ao próprio Adam – ao longo do filme são um toque especial de Jarmusch – John Hurt interpreta o dramaturgo Christopher Marlowe, aqui um vampiro também  e, juntos, todos compartilham de um mundo (o nosso mundo atual) decadente, onde as pessoas aprendem novas maneiras de se destruírem. As referências à AIDS, com o sangue contaminado do qual eles devem ter cuidado, e o desânimo de Adam em relação à raça humana – o zumbis, segundo ele, servem de reflexão sobre os caminhos da sociedade. Se realmente existissem pessoas que acompanharam toda a história da humanidade, o que elas pensariam?


Enquanto Adam mantém seu foco na deterioração dos humanos, Eve vê sua existência como uma oportunidade de alegria, observação e aprendizado. Eles vivem uma vida sem pressa, seus movimentos são relaxados e sua sintonia nos faz crer que eles poderiam, sim, ser um casal que está junto há séculos.

Agora, a pergunta que não quer calar. Como um Tom Hiddleston se apaixonaria por uma Tilda Swinton? Nunca, na minha humilde opinião, ela conseguiu ser tão atraente e sexy, com sua androginia (adicionando, também, um cabelo albino esponja) e sua brancura vampiresca transformadas em imã, também, para o espectador.


Amantes Eternos é um desses filmes para ver muitas vezes, até perder a conta. Se existir um céu onde podemos ver filmes, quero adicionar esse à minha lista.

15 de outubro de 2014

NÃO ME ABANDONE JAMAIS, a.k.a. A cura para o câncer e o fim da empatia


Direção: Mark Romanek
Ano: 2010

Não Me Abandone Jamais é baseado no livro de Kazuo Ishiguro, considerado um dos melhores livros da década de 2000. O filme conta com Carey Mulligam (com um cabelo horroroso), Andrew Garfield e Keira Knightley.

Desde pequenos, os alunos de Hailsham são especiais. Eles não estudam coisas úteis para a vida ou matérias comuns em outras escolas. Lá, eles só realizam atividades que os deixem felizes. Seria esse o sonho de toda criança?


Como todo filme de ficção científica – pasme você, esse é, sim, um filme de ficção – todo lado bom mascara um lado mais complexo e ruim, que será apresentado quando uma professora comenta com os alunos que eles são, na verdade, clones – e a escola era uma forma de deixa-los viver com mais dignidade, enquanto cresciam para doar órgão que seus “originais” precisavam – em um futuro alternativo onde as pessoas não morriam mais de câncer, elas substituíam os órgãos doentes.

Mas, independente de achar uma história viagem ou manjada demais, a pegada do livro – e do filme – foge do fantástico e se concentra nas relações humanas destes que são vistos apenas como possibilitadores da vida alheia.


Durante todo o filme – desde a infância das crianças até sua vida adulta, se preparando e se tornando doadores ou cuidadores (denominações próprias da história) – o que vemos é uma grande melancolia (com uma trilha sonora tendo um quê de Wong Kar-Wai – se você não tem ideia de quem eu to falando, vamos ficar mais inteligentes aqui), e a tentativa de se descobrir como pessoas, como indivíduos.

A questão levantada na história é a de se estes clones têm o direito de viver uma vida feliz, se eles têm o direito de serem vistos como humanos, mesmo que por um breve momento. A escola é uma grande experiência de humanização, já que a sociedade não “compra” a ideia de que eles possam ter sentimentos. Ainda assim, somos levados ao longo do filme justamente por todas as emoções (amor, inveja, ciúmes, sofrimento) dos personagens, por toda a iminência de suas funções e de seus destinos, seus defeitos e seus arrependimentos.


12 de outubro de 2014

GODZILLA, a.k.a. Mudaram a história e ninguém me falou?


Direção: Gareth Edwards
Ano: 2014

Em 1998 me lembro de ir aos cinemas para ver Godzilla, a versão americana estrelada por Matthew Broderick que, aos 12 anos, me fez surtar ao ver aquele monstrão destruindo NY. Independente do gosto popular ou até mesmo da resposta da crítica, curti muito o filme, comprei o CD com a trilha sonora, aquele babado todo pré-adolescente (mas, convenhamos, a trilha sonora é muito boa!).

Imaginem, apenas IMAGINEM, o meu chilique interno (e externo também, admito) ao saber que Godzilla teria uma refilmagem nessa louca época em que vivemos de efeitos visuais absurdos e histórias nem sempre tão interessantes. Foram meses de expectativa e, finalmente, posso contar o que achei do filme dirigido por Gareth Edwards.


Não achei o filme ruim, não me entendam mal. Mas o filme é muuuuuito longo e, não sei se você assistiu ao trailer – caso tenha, talvez você concorde comigo –, mas os grandes nomes que fazem parte do filme (Bryan Cranston e Juliette Binoche) não têm uma participação tão impressionante assim – Desculpa se estraguei o filme pra você, vale a pena vê-lo mesmo assim, juro.

Já o nosso astro principal – se você acha, por algum segundo, que eu poderia estar falando de Aaron Taylor-Johnson, o Kick Ass – desculpa, mas ele é mais um ator acessório para o personagem mais esperado no filme, claro: O Godzilla. Aqui, não só a sua origem, como também seu propósito no filme são totalmente diferentes do filme de 1998. Rolou um pequeno desencontro mental da minha parte em relação a isso, mas tudo bem.


Pesquisei um pouquinho e descobri que cada filme conta uma origem diferente para o Gojira e, aparentemente, essa nova versão “obedece” à sua origem lá nos filmes japoneses. Curti bastante essa ideia de que o Godzilla é, na verdade, um “cara” legal e usa toda a sua magnanimidade para salvar os humanos – mesmo que não seja esse seu objetivo-mor na vida.

Nessa “era” de filmes onde a grandiosidade das cenas, o poder de impressionar o espectador com monstros, heróis e destruições de tamanho cavalar são fatores quase primordiais para filmes mais comerciais, Godzilla conseguiu unir a tradição com efeitos visuais muito bons. Tudo bem, tropeçou em vários sentidos mas, ainda assim, vale a pena conferir.

29 de setembro de 2014

TERAPIA DO SEXO, a.k.a. Um viva para o carro das mulheres no metrô!


Direção: Stuart Blumberg
Ano: 2012

Depois da barra pesada que foi Shame retratando a vida de um viciado em sexo (o mara Michael Fassbender), eis aqui um filme que trata do assunto de forma mais... leve. Não vamos confundir: não é porque o assunto está sendo visto de forma mais descontraída que ele não é levado a sério.

Em Terapia do Sexo temos três personagens que são viciados em sexo e que participam do mesmo grupo – inclusive, um é padrinho do outro – Mike é padrinho do Adam, que é padrinho do Neil (ficou melhor assim?!). Cada um tem seus próprios problemas pessoais e o filme nos mostra como eles aprendem a lidar com esses problemas.


Mike é um cara mais velho, além de viciado em sexo é também alcoólatra (inclusive, em uma das cenas, ele diz que se manter longe do álcool é muito mais fácil do que controlar a sua compulsão sexual), e tem um filho viciado em drogas que, no começo do filme, descobrimos que já fez muita merda e saiu de casa (ovelha negra total). Em determinado momento, tal filho reaparece – aparentemente livre das drogas e sem participar de nenhuma terapia para tanto – e Mike fica sempre com um pé atrás em relação a perdoar o filho e acreditar na regeneração do mesmo.

Adam (um Mark Ruffalo macérrimo e com cara de doente, até) está em total celibato há 5 anos. Ele, inclusive, possui algumas regrinhas que passa para seu sponsee sobre como evitar recaídas (uma delas: evitar o metrô – faz sentido). Ele vai a uma festa e conhece Phoebe, e daí começa a surtar sobre como iniciar um relacionamento depois de tanto tempo, já que ele nunca tentou controlar seu vício ao mesmo tempo em que está com alguém.


E Neil, meu favorito, é um cara que sempre sonhou em ser médico e que vai parar no grupo por causa de uma ordem judicial – no começo, ele mente sobre seu tempo de sobriedade mas, por fim, admite que agora quer realmente se curar da sua doença – já que foi demitido do hospital onde trabalhava por estar filmando a calcinha da sua chefe. Ele é, de longe, o melhor dos três personagens, o mais inspirador, o mais divertido e despretensioso.


Não é nenhum filme inesquecível, mas serve para aqueles que viram Shame e acharam bem barra pesada. E serve, também, para mudar um pouco o foco: que tal pensarmos no vício em sexo como algo a ser controlado, mas que permite à pessoa que sofre dessa doença ter uma vida normal?

Nem curto muito a Gwyneth Paltrow, mas tem a Pink no elenco, então balanceou! ;)

26 de setembro de 2014

ACADEMIA DE VAMPIROS: O BEIJO DAS SOMBRAS, a.k.a. Harry Potter, Malhação e Crepúsculo num liquidificador, no que dá?!


Direção: Mark Waters
Ano: 2014

Logo no começo de Vampire Academy recebemos uma trolhada de informações que espero serem explicadas com mais calma no livro. A personagem principal é Rose, uma Dhampir (guardiã dos vampiros do bem, os Moroi), que há um ano fugiu da Escola São Vladimir com a sua Moroi, a princesa Lissa, cotada para ser a próxima no trono. Elas são encontradas e levadas de volta para a Escola – quase entrando pelos seus portões, conhecemos a terceira raça definida pela série de livros: os Strigoi, os vampiros do mal – ou seja, desconsiderando a saga Crepúsculo, os vampiros como os conhecemos.


Sei que estou tendo muitas referências de filmes, livros e séries adolescentes – espero que seja apenas uma fase e que, já já, eu retome meu caminho de literatura e entretenimento mais inteligentes (brinks! ou não!), e Vampire Academy não foge a esta regra – o filme mesmo parece brincar com isso – fora as nítidas piadas que faz com Crepúsculo - adoro!

Achei o filme bem fechadinho, apesar de ter que pesquisar sobre sua equipe técnica para me certificar que diretor / roteirista / produtor ou alguém tenha participado, também, das filmagens do primeiro Harry Potter. Até a questão da divisão dos “dons” tem a ideia das quatro casas de Hogwarts; mas aqui os grupos se baseiam no domínio que os Moroi têm por cada elemento da natureza: fogo, água, terra ou ar.


Como todo bom filme adolescente, tem romance, mas tem também uma ideia interessante de amizade, já que o foco da história fica em Rose proteger Lissa (às vezes, até dela mesma) e no porquê de ambas as personagens terem que voltar para a Academia, a fim de se prepararem para seus destinos – o de Lissa é se tornar a próxima rainha dos Moroi e Rose estar pronta para protegê-la dos Strigoi, tidos como muito mais fortes do que os Dhampir e os Moroi.

É aquilo né, gente, pra gente gostar de uma história fantástica assim, a gente tem que comprar a ideia que tá sendo vendida. No começo eu resisti um pouco, essa mistura de vampiros Malhação já tá meio batida, né? A história leva a gente para conclusões previsíveis, mas não é ruim – ainda mais se compararmos com (mais uma vez tenho que citar, claro) Crepúsculo ou Dezesseis Luas (que, pela madrugada!).


Vale como entretenimento, sim. Fiquei muito curiosa em saber o que acontece em seguida – mas não posso, sob hipótese alguma, começar a ler essa série! Nada contra, mas esse ano é ano de fechar pendências literárias, e não de começar outras! Pra quem quiser, o filme está disponível no Netflix!

PS: amor mais amor do mundo - a Haley de Modern Family!!

21 de setembro de 2014

"Se eu Ficar" é repetição de "A Culpa é Das Estrelas"?


Assisti "Se eu Ficar" por acaso. Na verdade eu ia assistir "Guardiões da Galáxia", por causa de uma amiga (que tinha ido ao cinema comigo). Apesar disso, no entanto, no último minuto eu quis assistir ao "Se eu Ficar". Motivo? Nunca tive exatamente vontade de ver o "Guardiões...". Super herói é legal, mas não sou exatamente fã.

Enfim, depois de assistir ao filme (e ouvir essa mesma amiga soluçando horrores na cadeira ao lado), fui às internets da vida procurar mais a respeito da história. Porque até então eu nem sabia que o livro tinha surgido antes do filme. Para mim tinha sido o contrário (sim, crianças, o caminho inverso também existe). Mas enfim, depois de muito navegar da águas misteriosas pela web, percebi que muita gente estava comparando o "Se eu ficar" com "A culpa é das estrelas". Semelhanças reais? Algumas.

As histórias
Ambos os filmes/livros tratam de experiências de quase morte. Até aí ok, até porque, depois de toda a comoção e o marketing inacreditável com "A Culpa...", essa informação é um pouco irrelevante. Quem não sabia que tinha câncer no meio? QUEM? Enfim, o que eu quero dizer que é aí que reside a diferença. Enquanto "A Culpa..." conta a história de dois adolescentes que se apaixonam - e têm câncer -, "Se eu Ficar" mostra como apenas uma das partes lida com isso (não com o câncer, é bom frisar, mas com a tal ~~experiência de quase morte que agora tá na moda~~).


Esse negócio de sofrer no cinema nunca foi a minha cara. Como eu disse ali em cima, eu só fui ver esse filme porque não queria assistir ao clichê dos super heróis. Não que "Se eu ficar" seja inovador, uma vez que se aproxima um pouco de "A Culpa", mas com certeza é mais imprevisível. O mais legal disso foi que eu decidi assistir a esse filme por falta de opção. Eu não tinha nem mesmo visto o trailer, o que deixou a coisa ainda mais emocionante. Por esse motivo, aliás, vou me deter ao mínimo de informações a respeito. Informação importante número 1) Não é câncer, é coma, o que, se você for espírita (ou não) vai soar muito mais interessante. 2) a história tem romance, sim, mas não é só sobre isso - uma vez que em "A Culpa..." eu tinha a sensação de que os personagens não tinham perspectivas, embora isso seja meramente compreensível. 

Por mim, você já pode ir ao cinema só com isso. É o que faz o filme valer a pena (aliás, qualquer filme, já que a surpresa é um fator essencial). 

Pra chorar
Apesar de eu ter gostado muito mais de "Se eu Ficar" do que de "A Culpa...", devo dizer que só chorei nesse último. Minha amiga, no entanto, virou uma lagoa do meu lado. Maaaaas, como eu disse, eu não sou muito de procurar por esse tipo de produção. Na verdade eu nem gosto, pagar pra chorar é meio incoerente (?). De qualquer forma, se você ficou curioso com a história, assista. Eu não me arrependo de ter visto e acho que chorar é relativo. 

Quanto aos livros, não li nenhum dos dois, embora haja uma quantidade de críticas positivas muito grande. Como era de se esperar, assim como os filmes, eu fujo de dramas. 

*AH! Esse é o meu primeiro post por aqui! Sou a Igra, prima da Nicolle, a criadora do CineSouvent*

31 de julho de 2014

ON THE ROAD, a.k.a. Como (não) querer ler um livro mundialmente conhecido


Direção: Walter Salles
Ano: 2012

Com uma breve intro de Sal Paradise viajando sozinho, sua história, ou melhor, a história que desencadeou os fatos narrados no filme, o que vemos é, basicamente, a busca de Sal por histórias, a fim de escrever um livro.

O que o filme realmente passou para mim, mera espectadora ignorante acerca do conteúdo do livro, não foi uma história cheia de auto-descobrimento, mudanças de parâmetros ou, até mesmo, uma evolução do personagem principal - posso ter entendido tudo errado ou criado expectativas sem fundamento, vai saber... -, e sim um bando de gente desgarrada de responsabilidades, zanzando de um lado para o outro, apenas livin' la vida loca.


On the Road é um filme muito longo, onde os personagens também parecem andar de um lado para o outro, sem encontrar o que parecer buscar.

Sam Riley (sim, falo porque sou fanzoca, mesmo) está sempre maravilhoso. Imagino que Sal Paradise tenha, realmente, um quê de Nick Carraway (personagem narrador de O Grande Gatsby) - ou seja, ele também é um arroz, só acompanha as ações de personagens aparentemente mais interessantes e com mais fome de viver do que ele.


A diferença, aqui, é que o pobre coitado do Sal é sempre abandonado pelos amiguinhos, que surgem depois, do nada, como se nada tivesse acontecido.

Desculpa aê, não sei o motivo, mas não vi nenhuma maravilha nesta história tão famosa do Beat Generation (pode não ter sido uma adaptação boa ou a história não é isso tudo, mesmo. #mejulguem); pode ser preconceito contra a Kristen Stewart (arghhh), ou o fato de o filme ser muito, muuuuuuuuito longo.


As passagens de tempo são confusas, Kristenzinha NÃO é boa atriz e vários atores que são, de fato, muito bons (Amy Adams, Elisabeth Moss, Kirsten Dunst, Viggo Mortensen e Steve Buscemi) não aparecerem tempo suficiente para tornarem o filme melhor.

Mas, vamos lá, não é um filme de todo ruim, apenas não é o que eu esperava - e isso me desanimou bastante de ler o livro. Uma coisa boa (para não falarem que só gonguei o filme) é o final - como em Howl (2010), leituras de passagens que fazem parte do livro são sempre muito bem-vindas.
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