26 de junho de 2010

NINE, a.k.a. Despedindo roteiristas para contratar a Fergie!


Direção: Rob Marshall
Ano: 2009

Guido é um realizador de cinema que tenta descontrair-se após o seu grande último êxito. No entanto, não consegue um momento de sossego, pois a sua mulher, a sua amante, o seu produtor e todos os amigos estão constantemente a pressioná-lo sobre uma coisa ou outra e procurando mais trabalho. Ele luta com o seu consciente, mas não consegue uma ideia nova. Enquanto pensa, começa a recordar os grandes acontecimentos da sua vida e todas as mulheres que amou e abandonou.


Sim, essa sinopse condiz exatamente com o que acontece em Nine. Pois é, mas a sinopse pertence ao filme 8 ½, do Fellini. Eu, pessoalmente, nunca assisti ao filme italiano e, quando vi o musical de Rob Marshall associei muitas coisas a outro filme, O show deve continuar (mundialmente conhecido como All that Jazz), do Bob Fosse.

Não me lembro dos detalhes de Chicago, pois o assisti no cinema, ou seja, em 2002. Mas recordo claramente o fato dele não entrar no meu hall de musicais favoritos. Com o novo filme do diretor confesso que a minha opinião melhorou um pouquinho mas, ainda assim, não li em nenhum lugar que Nine fosse algum tipo de homenagem a Fellini, ou tampouco vi qualquer outra menção ao filme de 1963.


O que acontece em Nine é que Guido (Daniel Day-Lewis) está com sua vida pessoal indo para o ralo, o seu filme – o que é bem curioso – ao mesmo tempo em que está sendo produzido e divulgado, não existe. O paradoxo do filme que existe mas não existe anda junto com o fracasso na vida pessoal do diretor, já que este nunca soube separá-la da sua vida profissional.

Uma coisa que me intrigou nas musicas foi a constante presença da palavra Guido. Eu sei que esse é o nome do personagem principal, mas essa insistência, além de chata, me fez perceber que as mulheres e suas músicas não necessariamente estão cantando a verdade, e sim o que Guido acha que elas pensam dele. Se isso é óbvio, então... foi mal, não havia percebido.


Há uma nova música a cada 5 minutos. E, da mesma forma que algumas músicas são muito boas (já já chego lá), algumas são muito, muito ruins. O que é Kate Hudson vestida de Vanderléia caricaturando a mulher americana independente, cantando que Guido é o rei do neo-realismo italiano num ritmo parecido com as músicas da Thalia? E a pobre coitada da esposa do Guido, Luisa (incorporada pela ma-ra-vi-lho-sa Marion Cotillard), canta a música mais depressiva que eu já ouvi em algum musical. E a canção é interminável....

Uma característica que me incomodou um pouco foi a de que, se estivéssemos vendo uma cena em que Guido contracenasse com alguma das mulheres, o próximo número musical seria o dela! Das primeiras vezes é bem legal, mas lá para o fim do filme eu já estava falando coisas como “ih, agora vai ter cena com a Nicole Kidman, tava faltando ela...”. Tudo muito 'combinandinho' para o meu gosto.

Mas, chega de falar mal!!!! Vi atuações muito legais também, a fotografia linda de morrer, e, pra finalizar, vou pôr os três melhores números musicais do filme: o da (pasme você) Fergie, Be Italian; da Judi Dench, Folies Bergère; e a segunda música cantada por Marion Cottilard (também, ela estava merecendo essa redenção), Take it All. Sério, não preciso falar mais nada...

Ahn? Penelope Cruz fez o filme? É sério isso??

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